
Enquanto o país enfrenta denúncias, pressão econômica e desgaste institucional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolhe o palco da folia. A imagem que circula é simbólica e política.
Em meio a questionamentos envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), turbulências financeiras que atingem instituições como o Banco Master, e um cenário de empresas fechando as portas, a participação festiva do presidente reacende uma velha crítica: estaria o governo desconectado da realidade das ruas?
O contraste que incomoda
Não é o Carnaval que está em julgamento. O Brasil é culturalmente movido pela festa. O problema é o contraste.
De um lado, trabalhadores lidando com custo de vida elevado, insegurança econômica e dificuldade para manter pequenos negócios.
Do outro, o chefe do Executivo em clima de celebração.
Na política, gesto é mensagem. E a mensagem percebida por muitos brasileiros é clara: enquanto o cidadão aperta o cinto, o poder celebra.
Escândalos e desgaste
O acúmulo de denúncias, investigações e crises administrativas amplia a sensação de fragilidade institucional. Cada novo episódio reforça a narrativa de um país que ainda não conseguiu se livrar da sombra da desconfiança.
Governar não é apenas administrar números; é também compreender o momento simbólico da nação. E em tempos de tensão, cada aparição pública carrega peso político.
Liderança exige sintonia
Presidentes não deixam de governar porque participam de eventos. Mas liderança exige leitura de ambiente. Em um país dividido, com parte da população enfrentando dificuldades reais, a exposição festiva pode soar como indiferença.
A crítica não é moralista é estratégica. Em política, percepção vale tanto quanto ação. E percepção, neste momento, é de desalinhamento.