
Em meio a crescentes suspeitas sobre a gestão de recursos públicos, o presidente da Câmara Municipal de São Luís, vereador Paulo Victor (PSB), está por trás de uma proposta que pode criar 400 novos cargos comissionados na Casa. A medida, considerada por muitos como um “cabide de empregos legalizado”, está sendo interpretada como uma tentativa de esvaziar os efeitos de uma possível auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
A proposta consta na Resolução nº 012/2025, que será votada nesta sexta-feira (23). O texto altera a Resolução nº 07/2014, que trata do número de cargos em comissão no Legislativo municipal. Entre as mudanças mais drásticas está o aumento do cargo de Assessor Técnico Especial I, que passará de 60 para 310 vagas — uma elevação de 417%. Cada uma dessas vagas tem salário de R$ 10 mil mensais.
Outros cargos também terão aumentos expressivos:
- Assessor Técnico Especial II: de 30 para 80 vagas
- Assessor Técnico Especial III: de 30 para 80 vagas
- Assessor Parlamentar Especial I: de 25 para 80 vagas
O crescimento geral das funções varia entre 167% e 220%, segundo os cálculos preliminares. Apesar do impacto direto no orçamento, o projeto não traz qualquer memorial de cálculo financeiro e, até agora, não há informações claras sobre a origem dos recursos para bancar os novos salários.
O projeto foi elaborado e protocolado em tempo recorde pela Mesa Diretora da Câmara. No entanto, o acesso ao texto integral da proposta no site oficial da instituição está restrito ao público, o que levanta ainda mais questionamentos sobre a transparência do processo.
A manobra de Paulo Victor é vista nos bastidores como uma forma de “legalizar” possíveis desvios de recursos públicos, aproveitando-se da estrutura oficial da Casa antes que a auditoria do TCE avance.
Desde que assumiu a presidência da Câmara, Paulo Victor tem sido alvo de diversas denúncias envolvendo corrupção, favorecimento político e uso indevido do orçamento do Legislativo. A criação dos novos cargos reforça ainda mais as críticas à sua gestão.