Prefeito de Morros se acha dono da UPA e manda negar atendimento a pacientes “de fora”

Em mais um episódio lamentável da política circense que insiste em assolar o Maranhão, o prefeito de Morros, Paraíba, protagonizou um verdadeiro chilique institucional ao tentar impedir que pacientes de outras cidades fossem atendidos na UPA do município.

Desinformado, desequilibrado e aparentemente sem qualquer noção de como funciona o SUS o Sistema Único de Saúde o gestor municipal resolveu bancar o segurança de portaria e deu ordens para que a equipe da unidade, incluindo a assistente social, negasse atendimento a moradores de cidades vizinhas como Rosário, Cachoeira Grande e Icatu.

Talvez o prefeito não saiba (ou nunca tenha se dado o trabalho de ler uma cartilha básica de gestão pública), mas o SUS é público. Sim, prefeito: PU-BLI-CO. De todos, para todos e por todos. É um direito constitucional. E é bom repetir com calma, para ver se dessa vez o senhor entende: saúde não tem fronteiras municipais. Quem precisa de atendimento tem que ser atendido independente se o CEP é de Morros ou de Marte.

Ao transformar a UPA em palco de um show de horrores, o prefeito ultrapassou o limite do aceitável. O que se viu ali não foi apenas desrespeito com os profissionais da saúde e com os pacientes, foi também um vexame digno de figurar nos anais do absurdo administrativo. Um prefeito que ao invés de garantir dignidade, se comporta como um dono de chácara delimitando território.

Mas sejamos justos: se teve algo que o prefeito realmente conseguiu montar com maestria, foi o circo. Faltou só a lona, porque os palhaços (inclusive ele próprio) já estavam lá. Um show de despreparo que envergonha qualquer gestor público minimamente comprometido com a saúde da população.

E fica a pergunta que não quer calar: até quando alguns prefeitos vão achar que saúde tem CEP?

Que Morros não se transforme numa cidade cercada por muros invisíveis de ignorância e prepotência. E que o povo de onde quer que venha nunca seja impedido de buscar o que é seu por direito: atendimento digno e humano.

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