Raimundo Júnior, irmão do vice-prefeito de Ribamar, pode perder mandato por fraude eleitoral

O vereador de São Luís, Raimundo Júnior (Podemos), está com o mandato ameaçado por conta de uma grave investigação da Justiça Eleitoral que aponta suposto envolvimento em um esquema de candidaturas laranjas. Mas o caso vai muito além da capital: ele é irmão de Natércio Santos, atual vice-prefeito de São José de Ribamar, e isso coloca todo o grupo político de Natércio sob os holofotes e pressão.

Segundo a denúncia aceita pela juíza Janaina Araújo de Carvalho, da 1ª Zona Eleitoral de São Luís, o Podemos teria usado candidaturas femininas fictícias apenas para preencher a cota de gênero exigida por lei, mas sem qualquer intenção real de disputa. A prática, além de desleal com o processo democrático, é considerada fraude eleitoral e pode levar à cassação de todos os eleitos pela legenda, incluindo Raimundo Júnior.

A investigação traz indícios robustos: candidatas que não fizeram campanha, prestações de contas idênticas, número irrisório de votos e até depoimentos confirmando o esquema. A Justiça já rejeitou as tentativas da defesa de barrar o processo e confirmou que os vereadores eleitos pelo Podemos, mesmo que não tenham participado diretamente da fraude, devem responder por ela.

O Ministério Público Eleitoral também é favorável à cassação. Se confirmadas as irregularidades, os votos do partido serão anulados, o que automaticamente tira Raimundo Júnior da Câmara Municipal de São Luís. A decisão deve sair nas próximas semanas, mas os ventos já são desfavoráveis para o parlamentar.

E com a queda de Raimundo Júnior, quem mais sai arranhado é o irmão, Natércio Santos, que usou seu capital político em Ribamar para projetar o irmão na política da capital. A eleição de Raimundo, em 2024, foi vista nos bastidores como uma extensão da força de Natércio. Agora, com o risco real de cassação, o projeto político do vice-prefeito desmorona sob os próprios erros.

A influência de Natércio, que já foi considerada essencial nas decisões da gestão Julinho em Ribamar, parece perder força. De articulador estratégico, ele hoje se vê associado a um escândalo que pode marcar o fim de uma era e de um modelo de atuação política que apostava no controle das máquinas e alianças familiares.

Se Raimundo Júnior cair, não será só um vereador a menos para o Podemos será uma perda de força para o clã Santos, que até pouco tempo dominava com sobras os bastidores de São José de Ribamar.

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