
O assassinato do major André Felipe dos Santos de Carvalho, da Polícia Militar do Maranhão, ocorrido em 30 de abril de 2025, representa mais do que uma tragédia pessoal e institucional: é um retrato alarmante da morosidade e da ineficiência do sistema de Justiça. Mesmo diante de um pedido fundamentado de prisão preventiva, o acusado reincidente e perigoso seguiu em liberdade até cometer o crime fatal.
Pedido ignorado: Justiça falha em retirar criminoso das ruas
Caio Lúcio dos Santos, autor confesso do homicídio, já havia sido identificado como o responsável por um assalto à mão armada ocorrido em 2024 no Motel Lagoa, na Região Metropolitana de São Luís. Após o crime, o delegado Carlos Alberto Damasceno de Mendonça, da Central de Inquéritos e Custódia, encaminhou à Justiça um pedido de prisão preventiva em 27 de fevereiro de 2024.
A solicitação, amparada por provas contundentes, incluía reconhecimento das vítimas, imagens de câmeras de segurança e o histórico violento do acusado que já tinha condenação de 6 anos por crime semelhante. A autoridade policial alertava sobre o risco iminente de reincidência. O Ministério Público também se manifestou favoravelmente à prisão preventiva.
Solto mesmo após parecer favorável do MP
Apesar da gravidade das acusações e da manifestação favorável do MP, nenhuma providência concreta foi tomada para cumprir o pedido de prisão preventiva. Caio Lúcio permaneceu solto, circulando livremente pelas ruas de São Luís, até a data do assassinato.
Execução do major em posto de combustíveis
No dia 30 de abril, o major André Felipe foi executado com dois tiros em um posto de combustíveis no bairro Ipase. Testemunhas relataram que dois homens em uma motocicleta abordaram o policial, e Caio Lúcio efetuou os disparos fatais. Após o crime, ele confessou a autoria dos tiros que tiraram a vida do oficial.
Dor, revolta e a sensação de impunidade
A morte do major gerou grande comoção entre colegas de farda, amigos e familiares, que destacam sua trajetória como um profissional exemplar, dedicado à segurança pública. A dor da perda, no entanto, é acompanhada de um profundo sentimento de revolta: a tragédia poderia ter sido evitada se a Justiça tivesse agido com a agilidade e responsabilidade que o caso exigia.
Por Eduardo Matias