O que está por trás de todo o interesse de Fred Campos em tomar parte do território de São José de Ribamar?

A movimentação do prefeito Fred Campos na Justiça questionando os limites entre Paço do Lumiar e São José de Ribamar pode até ser apresentada como uma discussão técnica. Mas nos bastidores da política da Grande Ilha, a leitura é outra: o que está em jogo não é apenas território é projeto de poder. E quando a área mais sensível envolve a estratégica região do Araçagy, uma das mais valorizadas e em expansão imobiliária, o debate deixa de ser cartográfico e passa a ser eleitoral.

Ribamar é o terceiro maior município do Maranhão e possui um orçamento anual que beira a casa do bilhão de reais. Isso representa arrecadação forte, protagonismo regional e peso político crescente. Não é exagero dizer que esse potencial “cresce o olho” de muita gente. Território significa receita. Receita significa influência. E influência pesa principalmente quando o horizonte é 2028.

Fred Campos está com um projeto claro: eleger o irmão deputado estadual em 2026 para, dois anos depois, emplacá-lo como candidato a prefeito em Ribamar. A estratégia passa por ampliar presença política no município desde já. Não por acaso, ele vem se movimentando intensamente na cidade, captando lideranças locais, construindo alianças e, segundo os bastidores, até mesmo atraindo vereador de mandato, com espaços e empregos na gestão municipal de Paço do Lumiar.

Diante desse cenário, a judicialização dos limites territoriais ganha outra interpretação. Se fosse apenas uma correção técnica, viria acompanhada de amplo debate público e transparência cartográfica. Mas quando a ação jurídica caminha paralela a articulações eleitorais e fortalecimento de base política em Ribamar, a pergunta é inevitável: trata-se de ajuste administrativo ou de preparação para 2028?

Ribamar tem identidade própria, história consolidada e peso político que não pode ser tratado como extensão de projeto alheio. Se há interesse legítimo, que seja demonstrado com base técnica. Mas se o movimento for estratégico e eleitoral, que a população esteja atenta porque, no fim das contas, não é apenas território que está em disputa. É poder.

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